Os
frequentes furtos de cobre dos cabos telefónico na nossa área têm vindo a
provocar grande transtorno aos habitantes, que isolados na aldeia, se veem
ainda mais afastados do mundo. Os que mais sofrem são, sem dúvida, os mais idosos,
visto que ficam privados da valiosa ligação à família e, em caso de doença,
impossibilitados de contactar os bombeiros e os serviços de saúde.
A questão que me parece
relevante levantar não é apenas a do apuramento de responsabilidades e das
consequências face ao crime praticado. Mas, o que me causa maior perplexidade é
a atitude da PT que persiste na utilização desta via de ligação telefónica,
considerada obsoleta nos meios urbanos e, ao que parece na sua ótica, para
estas povoações, deve bastar. Porque não se implementa uma solução alternativa
– com o uso de novas tecnologias que garantam maior eficácia - nas ligações
telefónicas? Não será porque se desvalorizam povoações com poucos habitantes e
por isso menor volume de negócios? Mais uma forma de abandono das populações
destes pequenos meios, que sucumbem ao capitalismo insensível às necessidades
humanas.
O isolamento dos
habitantes destas aldeias, naturalmente que se agrava com o encerramento do
pequeno comércio, que soçobra à carga tributária destes tempos difíceis. As
pessoas veem-se privadas de espaços de lazer e de socialização, sem meios para
a deslocação a outros locais, para aquisição dos produtos de primeira
necessidade. É a desertificação do interior, que parece ser um caminho
inevitável.
A solidariedade e
entreajuda, características da boa vizinhança parecem também agonizantes. O
espírito associativo foi esmorecendo, não se vislumbrando uma perspetiva de
mobilização das pessoas em torno de um projeto. Não será também um sinal de
falta de energia e de esperança de uma povoação que assistiu a uma debandada de
gentes e ao abandono, nos últimos tempos?
Dores do Carmo
Cerveira Fernandes


Sem comentários:
Enviar um comentário